terça-feira, 29 de março de 2011

Redes sociais para o celular atraem capital de risco

 

25/03/2011 - Enquanto Facebook Inc. e outras grandes empresas de redes sociais atraem a atenção do mundo financeiro em Wall Street, na meca tecnológica do Vale do Silício o que está atraindo capital de risco é uma nova geração de empresas que espera libertar as redes sociais dos computadores e transferi-las para o telefone.

Ontem foi lançada a Color Labs Inc. - uma rede social inteiramente baseada no celular que foi fundada por Bill Nguyen, um empreendedor do Vale do Silício. A nova empresa, que tem sede em Palo Alto, na Califórnia, assegurou recentemente um investimento de US$ 41 milhões e uma avaliação de mais de US$ 100 milhões de importantes firmas de capital de risco, como a Sequoia Capital, antes mesmo de seus aplicativos para iPhone e Android estarem prontos para o mercado.

A ideia por trás da Color é que os recursos dos telefones de identificar a localização podem criar a rede social dos usuários para eles, permitindo que compartilhem fotos, vídeo e mensagens com base simplesmente nas pessoas que estão fisicamente próximas.

A Color é apenas uma de um número crescente de empresas orientadas para o aspecto social que apostam nos smartphones e estão provocando uma nova corrida pelo financiamento de capital de risco. Muitas das empresas são voltadas para o compartilhamento de fotos, caso da Path Inc., fundada por Dave Morin, um ex-executivo do Facebook. A empresa recebeu US$ 8,5 milhões no mês passado da Kleiner Perkins Caufield & Byers e da Index Ventures e já rejeitou uma oferta de compra do Google Inc., segundo uma pessoa informada sobre as discussões. O Google se negou a comentar.

Outra empresa de compartilhamento de fotos, a Instagram, foi inundada por solicitações de quase 40 investidores antes de fechar no mês passado com a Benchmark Capital, da qual recebeu US$ 7 milhões. "As pessoas apareciam em nossos escritórios dia sim, dia não, querendo reuniões, enquanto estávamos tentando fazer o trabalho", diz Kevin Systrom, um dos fundadores da Instagram. Desde que foi lançado, em outubro, o serviço conquistou quase 3 milhões de usuários, diz.

Além disso, a Yobongo Inc., cujo aplicativo para o iPhone, lançado há três semanas, permite que os usuários batam papo com pessoas localizadas na mesma área, informou quarta-feira que captou US$ 1,35 milhão da True Ventures, Freestyle Capital e outros investidores como Mitch Kapor, fundador da Lotus Development Corp. Em janeiro, um serviço chamado GroupMe anunciou que obteve US$ 10,6 milhões.

A enxurrada de dinheiro de capital de risco nas novas empresas de redes sociais em celulares é o mais recente sinal do boom alimentado pela web no Vale do Silício. Nos últimos meses, investidores de Wall Street e outros fizeram o valor do Facebook passar de US$ 50 bilhões e o da empresa de jogos sociais Zynga Inc. ir para US$ 10 bilhões.

Por trás do surto de novos serviços sociais móveis está também a ideia de que o celular, carregado pelas pessoas o tempo todo, pode reinventar o conceito de uma rede social ao compartilhar mais informação em tempo real sobre onde as pessoas estão, o que estão vendo e mesmo com quem estão.

O celular "fornece uma plataforma para os programadores criarem experiências que são de natureza mais pessoal", diz Morin, da Path. O que é diferente agora é a onipresença dos smartphones e tablets, que vão vender mais que os PCs este ano nos Estados Unidos, diz. "Agora você tem uma oportunidade de criar essas experiências com escala", diz.

A corrida pelas redes sociais móveis também ocorre quando o Facebook mira os celulares. O serviço, que tem mais de 200 milhões de usuários em celulares, comprou esta semana a empresa de tecnologia móvel Snaptu. Antes, adquiriu este mês o serviço de bate-papos em grupo Beluga. Em ambos os negócios, o valor não foi revelado.

No ano passado, o Facebook também anunciou um serviço de "check-in" para seus aplicativos de celular, que permite aos usuários divulgar sua localização para os amigos e também encontrar promoções do comércio nas redondezas. A empresa está agora trabalhando em iniciativas para integrar seus recursos com os sistemas operacionais dos telefones. Um porta-voz do Facebook disse que a plataforma da empresa é usada por muitos aplicativos de celular.

Diferentemente do Facebook, a Color elimina o ato de "solicitar amizade" e selecionar configurações de privacidade. Isso porque, quando é ligado, o aplicativo da Color coleta uma quantidade imensa de dados de posicionamento global, giroscópio, sensor de luz e outros dos telefones para determinar quem mais está nas proximidades. Isso significa que os usuários vão se juntar à rede social de pessoas numa festa de aniversário, show de rock - mesmo estranhos num trem. Os telefones que rodam o aplicativo da Color automaticamente compartilham fotos, vídeos e texto com outros próximos.

(Colaborou Jessica E. Vascellaro)

Fonte: Jornal Valor Econômico

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